sampledō — o caminho do sample

sampledō — o caminho do sample
Casa Das Máquinas Batidas
O CDMB surgiu como um desejo de participar da cultura Hip Hop, produzindo batidas para que outros rappers e MCs pudessem rimar em cima. Mas, ao desenvolver um método de produção, o uso do sample me despertou intuições, desejos, capturou minha criatividade: poderia desenvolver uma pesquisa artística com esse objeto.
O sample é um objeto, uma partícula, altamente inflamável, que explode numa outra música, mas que mantém uma pista sobre sua origem. É o desdobramento do que parecia pronto, estabilizado noutra cadeia, e que se torna novo, ou sustenta o novo. Os beats foram se tornando independentes dos MCs, passou a me interessar como música instrumental.
O projeto Multiverse, de 2014, representa muito bem essa exploração do sample. Há uma série de singles entre 2014 e 2017, até que surge o projeto 1929, que é um compilado. Em 2020 faço aquilo que considero o segundo álbum, de fato: Slow Funk. Ali eu trabalho as ideias que me levariam a uma nova ideia de processo. O EP Microtape, Vol. 1, 2021, é o que sobrou do processo naquele momento.
Foi aqui, com o projeto Slow Funk, que comecei a inserir teclados nos projetos, o que preparou o terreno para o projeto oreinvldo.

Projeto musical baseado na arte do sample. É um desdobramento do projeto CDMB, que começou como um projeto de produção de beat tapes. Aqui, o sample abre caminhos sobre si, sob si, através de si. Surgem melodias improváveis. Texturas vocais: vozes que rasgam as tracks. Intervenções.
playlist
discos · na ordem em que devem ser ouvidos
percurso
A melodia pauta o que alguns chamariam, o que faço, de música modal: uma música que busca a prevalência do clima. O loop já indicava algo de tribal, algo circular, repetindo e repetindo, algo se acumulando. É natureza deste projeto.
Os EPs Intuito, de 2022, e Tudo Que Levita Deve Pousar, 2023, são projetos que trabalham com a melodia surgida do sample, mas sem que o sample apareça. Já em Átma (compilado 2022–2024) há um laboratório mais explícito.
Alta Dive, 2023–24, é o projeto mais estranho, explora os meus vocais, e procura por um subterfúgio, o que preparou o caminho para Morgara.
O álbum Morgara, de 2024, é o ponto alto do processo. Aqui tudo muda. Consigo ordenar minhas ideias e desenvolver um método de produção. A partir daí surgem os projetos: Takeshi Kitano, 2025; Chão, 2026; MMXIIIDUB, 2026; O Jazz Que Posso No Samba Que Consigo, 2026; e Samsara Dub, 2026.
Nos dois últimos, produzo as melodias em um aplicativo de piano, no celular, sampleio esse piano e produzo a estrutura. No último, Samsara Dub, há a participação em todo o projeto de um convidado frequente do projeto Cidreira.exp, que traz cordas e sopros para contribuir com as composições.
Há, ainda, um single, profano.beat, 2026, e um projeto de trilha sonora com o Cidreira.exp, de nome Resgate Abelha, 2025.
Ao ouvir os discos em ordem, percebe-se a evolução da pesquisa.
avågarøss é a fase três desse processo.
O mesmo método, procurando por desvios, acidentes, aspectos improváveis. Um diálogo com a trilha sonora, o cinema, a arte visual: o movimento.
Em breve, mais informações.